terça-feira, 24 de novembro de 2015

HOJE É NATAL


Pastores e rebanhos estando em noite estia
Nas vigílias noturna, refulgente esplendor
Fulgurante estrela esplêndida surgia
E bela sinfonia em coro ecoou.
Ressoa canto angélico, maviosa melodia;
E pastores ouviram, "Boas Novas vos dou"!


Na pequena Belém de Judá nos nasceu,
O terno Emanoel, qual farol que reluz!
O Salvador do mundo, o Unigênito de Deus,
Sendo a glória do pai que do mundo é  aluz!
Pastores viram o evento maior que aconteceu
O verbo encarnado, o seu nome é Jesus!


Os magos, refulgente estrela seguiram
Vindo o Oriente, pra o menino adorar
Rumo a  manjedoura resolutos partiram
Oferenda levando pra criança em Judá;
Ouro, incenso e mirra, a levar decidiram
Ao Menino Messias de Belém ofertar!


É natal... Canta exército angelical no campo
Se assustaram os pastores com  fulgor celestial
Glória a Deus nas alturas! Houve angelical canto
Paz na terra aos homens, mensagem colossal!!!
E numa manjedoura, envolto em um manto
Nasce o sol da justiça: Jesus! Hoje é NATAL!



Autoria: Laerço dos Santos

(Extraído do livro do autor - "Poesias do Coração")


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

COMENTÁRIO ADICIONAL DA LIÇÃO 8 - CPAD

O INÍCIO DO GOVERNO HUMANO


Imagem extraída de Cetc br-TIC Governo Eletônico



O motivo do Dilúvio foi a propagação do pecado. Por não comungar com a desobediência do homem as suas leis, e dar-lhe chances de se arrepender de seus pecados (transgressões à lei divina), Deus decidiu destruir toda a raça humana. No entanto, por ser justo, quis salvar Noé e sua família, ainda sabendo que ele era o único ser humano que lhe obedecia (Gn 7.1).

O tempo de duração do dilúvio (Gn 7.6,11; 8.13): Devido ao dilúvio (quarenta dias e quarenta noites de chuva constante), as águas prevaleceram sobre a Terra por quase um ano, pois ao entrar na arca, Noé tinha seiscentos anos de idade, e ao sair ele estava com 601 anos.

O pacto de Deus com Noé: Após Deus destruir a primeira civilização, Ele fez um acordo com Noé, dizendo-lhe que nunca mais destruiria o mundo com inundação. Para que a nova geração não tivesse medo de um novo dilúvio, Deus deixou um sinal: um arco, que conhecemos como “arco-íris”. Cada vez que chovesse muito, o arco-íris apareceria para que o homem não  tivesse medo de um novo extermínio por meio das águas (Gn 9.13,14).  

O início do governo humano (Gn 9.6): Após o dilúvio, fazia-se necessário recomeçar uma nova civilização, já que a primeira havia sido destruída pelas águas. Daquela geração só sobraram Noé e a sua família, além dos animais que entraram, de dois em dois, na arca. Agora os sobreviventes deveriam povoar a Terra, formando assim uma nova sociedade. Como Deus não suporta o pecado (desobediência as suas leis), desta vez, Ele instituiu leis, a fim de que o homem não se perdesse novamente, guiados pelos seus pecados.
O homem deveria regrar os seus atos de acordo as ordenanças que recebera de Deus, e se isso não ocorresse o governante teria de punir o transgressor. Desta forma, foi instituído o primeiro governo humano.

De quem foi a ideia de estabelecer um governo humano: Em Romanos 13. 1 observamos algumas verdades concernentes à lei e ao governo humano. A primeira diz respeito à importância dos governantes: No versículo 1 lemos que as autoridades procedem de Deus e foram ordenadas por Ele. Ao dizer que toda a potestade (as autoridades) veio de Deus, e foram instituídas por Ele, não significa que todo governante foi predestinado por Deus para ser eleito àquele determinado posto. O que o apóstolo Paulo quis dizer é que o governo (a instituição governamental) foi ordenado por Deus, isto é, a ordem para o estabelecimento do governo humano veio de Deus, e não foi uma invenção humana.

 Para que serve o governo e as leis: Em seguida, observamos que o estabelecimento do governo humano tem por finalidade a manutenção da lei e da ordem. O governante (potestade), foi instituído por Deus para agir como um representante da justiça, por isso deve usar a lei para refrear o mal, punindo os transgressores, a fim de que o delito cometido por ele não seja copiado (Gl 3.19-23). Ao mesmo tempo, para as pessoas honestas, a lei serve-lhe de guardiã, protegendo-as dos delinquentes (v.4; 1 Pe2. 13-17).
Enquanto ainda não temos a lei de Cristo gravada na tábua do nosso coração, precisamos da lei (que também provém dele)  - Sl 119. 11;  Pv 7. 1-3 - para que o mundo não vire um caos.

Como deve ser o governo humano: Sendo Deus o autor desta instituição, ele também deu as regras: o governo humano deve ser justo, a ponto de que o governante faça aos seus súditos aquilo que gostaria que lhe fosse feito (Mt 7. 12). Aliás, a hipocrisia foi o grande motivo de Jesus combater o farisaísmo. Os fariseus eram homens respeitados pela camada popular, como sendo santos (fariseu significa "separado"), no entanto, embora fossem para muitos judeus uma autoridade espiritual, Jesus os denuncia dizendo que não passavam de hipócritas (fingidos), e adverte seus discípulos a ouvirem  o que dizem, mas jamais fazerem o que fazem, pois colocavam pesados fardos sobre os ombros do povo (leis difíceis de serem cumpridas) , mas eles mesmos não se davam o trabalho de carregá-los (Mt 23.3,4).  

O governo no Antigo Testamento: Deus jamais destituiu a religião do estado. Isto porque o governo visava prezar pelo cumprimento de suas leis, que, de acordo com o salmista, é perfeita (ou reta) - (Salmos 17. 8-11). Houve governantes que foram homens piedosos, tementes a Deus, e governou o povo com justiça. Esse foi o caso, por exemplo, do rei Ezequias,  de quem a Bíblia fala que foi o homem que mais confiou no Senhor (2 Cr 29. 1,2; 18. 5).
Mas, também houve homens que fizeram o que era mau aos olhos do Senhor. Homens que foram maus governantes e fizeram o povo se desviar das leis de Deus (1 Rs 16. 13; 2 Rs 14. 23, 24;  2 Cr 36. 5, etc).
Deus usa os governantes (detentores da lei), para fazer valer a Sua vontade (Gn 41. 38-44; Et 8. 10-17. Is 44. 28; Es 1.1-3;).

Devemos obedecer às autoridades: Sabendo-se que o governo foi estabelecido para manter a lei e a ordem, a Bíblia ordena que nos sujeitemos a ele (1 Pe 2. 13; Tt 3; ). Embora observemos que Deus utilizou-se dos governantes para fazer aquilo que lhe apraz, é evidente também que ele agia sem alterar o curso da história, isto é: não houve rebelião dos seus servos contra seus governantes, mas Deus lhes deu sabedoria e estratégia, para que, apesar de sua sujeição achassem graça diante deles. Observe como eram a postura de Ester diante de seu rei: (cp 5 e 6); ou de Neemias (2.3,5).
Mesmo na época da escravatura, embora Jesus, bem como os seus discípulos, pregavam contra isso, em sermões como o de Mateus 23.11, 12,na qual Jesus ensina que todos devem servir um ao outro, e o mais humilde será o mais exaltado no Reino de Deus. Em Galátas 6.2, o apóstolo aos gentios (Paulo), ensina que devemos levar a carga uns dos outros, e explica que é assim que cumprimos a lei de Cristo. E qual é a lei de Cristo? O amor (Jo 15. 12). Nessa lei, Cristo especifica que devemos amar ao próximo assim como ele nos amou. E como foi que nos amou? Dando a sua vida pela nossa. Nada parecido com a relação senhor e escravo,não é?
 Em Colossenses 4. 1, Paulo admoesta aos senhores que tratem os seus servos (ou escravos) com justiça e equidade (retidão), lembrando-se que também possuem um senhor no céu. Tratar alguém com justiça, ou de forma correta (retidão), não é o tratamento convencional de um senhor para um escravo, pois a justiça cobra que “o trabalhador é digno do seu salário” (Lc 10.7; 1 Tm  5. 18).  
O escravo é visto como um ser desprezível, e sem valor, no entanto, a admoestação bíblica é que nos consideremos inferiores aos outros, e deixa-nos como exemplo o próprio Cristo (nosso senhor), que, sendo Deus, humilhou-se na forma de homem, e morreu de forma vergonhosa por amor a sua criatura ( Fp 2. 3-8).
Mesmo tendo uma concepção contrária à escravatura, o apóstolo Paulo conheceu um escravo fugitivo, a quem ganhou para Cristo, e, sabendo que pertencia a seu cooperador, Filemon, não abusou de sua autoridade sobre ele, mas lhe pediu que o recebesse de volta e não lhe fizesse mal algum. A um escravo fujão, a lei permitia que fosse morto. Também era comum que sendo pego, o escravo levasse muitas chibatadas em público, até ficar a beira da morte, para servir de lição aos outros, a fim de que também não se rebelassem.
No entanto, a admoestação de Paulo ao seu amigo e cooperador Filemon que, a exemplo de muitos outros cristãos, possuía escravos, era de que ele não agisse conforme lhe permitia a lei do estado, mas de acordo com a lei de Deus (o amor).
Paulo tinha autoridade espiritual sobre Filemon, pois ele o ganhou para Cristo, da mesma forma que ganhou a seu escravo, no entanto, ele deixou claro que, apesar de possuir autoridade espiritual sobre o seu cooperador, e, por isso, poder lhe ordenar o que convém fazer, ele preferia pedir-lhe, porque reconhecia sua autoridade sobre o escravo (Fm 8-14).
Da mesma maneira, Paulo reportando-se aos escravos exortava-lhes: “Vós servos, obedecei em tudo, a vossos senhores” (Cl 3.22).

Jesus respeitava as autoridades, bem como a lei: ao ser indagado se veio revogar (anular) a lei Jesus respondeu que veio cumpri-la (Mt 5. 17). Jesus ensinava seus discípulos a obedecer os governantes, motivo este de muitos judeus, até hoje, não crerem que ele é o Messias que Deus havia de mandar, pois eles esperavam um revolucionário que os libertasse do governo de Roma.
Ao ser questionado se os judeus deviam pagar impostos a Roma, Cristo perguntou-lhes de quem era a efígie gravada na moeda, ao que lhe disseram ser do imperador romano, cujo título era César, então Jesus respondeu: “Dai a César o que é de César” ( Mt 22. 17-21).
Ao ser interrogado por Pilatos Jesus mantém-se respeitoso, e a única pergunta que responde foi a acusação que dizia respeito a autodenominar-se rei dos judeus (acusação grave contra o Império). Ele,  porém, responde a Pilatos  (procurador romano, responsável por julgar crimes que afrontavam ao império romano): “Tu dizes”, isto é, “Você tá dizendo”. Depois disso, apesar das acusações que lançavam contra ele, Cristo manteve-se calado (isso não soou desrespeitoso a Pilatos), antes, o procurador dos césares se maravilhou com sua postura (Mc 15. 1-5).

Observação 1: efígie ou esfinge: É a figura estampada na moeda.

Observação 2: César: Assim como Faraó, e Herodes, César era um tiítulo pertencente aos imperadores romanos. Assim temos vários césares: Augusto César, Tibério César, Júlio César, etc.

Paulo, que aprendeu com o Mestre Jesus, ensinou a mesma coisa (Rm 13. 5-7).

Obedecer tem limite: Apesar de a Bíblia nos exortar a obedecer às autoridades constituídas, observamos que os servos de Deus não se sujeitavam aos governantes quando suas leis lhes conduziam a desobedecer a Deus. Foi assim com Daniel e seus três amigo, que preferiram ser condenados à morte a adorar outros deuses, pois sabiam que a adoração a ídolos era um pecado que Deus não tolerava. O mesmo aconteceu com José, que apesar de poder se aproveitar  de seu posto na casa de seu senhor,  onde era mordomo, rejeitou deitar-se com a mulher dele sob a única alegação: “Como eu faria esse tamanho mal e pecaria contra Deus?”     (Gn 39. 6-12).  
No Novo Testamento temos muitos casos de homens que perderam sua vida para não desonrar a Deus, ao cumprir uma ordenança que feria os seus preceitos. Nesta lista vemos Estêvão, Tiago, João Batista, Paulo, dentre muitos outros.
Pedro, ao ser repreendido pelo sumo sacerdote por continuar anunciando o nome de Jesus, replicou: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5. 29). Este versículo tem sido mal interpretado por muitos cristãos que, pensando ter supremacia sobre sua vida, negam-se a obedecer às autoridades (governamental, espiritual, trabalhista, pedagógicas, etc).  
Ao dizer tais palavras, Pedro estava tendo em vista, pelo menos, duas coisas: Primeiro, ele estava falando com uma autoridade espiritual (sumo sacerdote), um homem que conhecia bem a Palavra de Deus, cuja instrução aponta para que a supremacia de Deus esteja acima de toda a autoridade humana, e as leis instituídas pelos governantes devem honrá-lo.
Em segundo lugar, Pedro estava falando uma frase da autoria do filósofo grego, Sócrates, que era muito conhecida entre os eruditos.  Pedro vivia na época do Império Romano, e os romanos eram admiradores da cultura grega, de quem herdaram a religião e a filosofia, dentre outras coisas. A frase usada por Pedro: “Mais importa obedecer a deus do que aos homens”, era uma paráfrase da frase socrática (de Sócrates), que, ao ser interrogado, respondeu aos seus acusadores: “Mais importa obedecer a Deus do que a vós”. 
Havia ali um contexto todo próprio para tais palavras. Não foi uma manifestação de rebeldia, mas uma expressão de conhecimento histórico (ele não era o primeiro que defendia seus valores), e uma declaração de sua fidelidade a Cristo. Não é a toa que, ao verem Pedro e João, dois pescadores, defenderem ousadamente a sua fé, aqueles homens se admiraram ao saberem que eram indoutos, isto é, não eram cultos (At 4. 13). Geralmente, as pessoas cultas defendem seus ideais (principalmente citando frases de indivíduos influentes que coadunam com suas argumentações), mas Pedro, assim como outros que também andavam com Jesus, não era erudito, porém a influência de Cristo o fez se tornar um homem eloquente. 

Devemos obedecer de boa vontade: Sabendo que as autoridades foram instituídas por Deus para o bem do homem, o apóstolo Paulo adverte que nos sujeitemos, não apenas pelo castigo que advém da nossa desobediência, mas pela consciência, ou seja, porque sabemos que isso é bom (Rm 13. 5).
Davi, inspirado pelo Espírito Santo, no Salmo 32. 8, 9 profetiza: “Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos. Não sejas como o cavalo, nem como a mula, que não tem entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio para que não se cheguem a ti”. Ou seja, a obediência não deve advir do castigo,  mas do entendimento do que é bom e justo.

Conclusão: Ao invés de nos opor ao governo, a Bíblia nos instrui a orar pelos nossos governantes, porque isso é agradável a Deus (1 Tm 1.8-10). E, para acabar a necessidade da lei é preciso que primeiramente o ser humano reaprenda a amar, pois o fim da lei (regras), e dos profetas (detentores dos mandamentos divinos), é o amor (Rm 13. 10; 1 Tm 1.5).
Mas, como sabemos que, embora muitos alcançarão a liberdade em Cristo, outros continuarão a desprezar a suprema lei (o amor), e, por isso. precisarão ser manipulados, e “estimulados” a obedecer. Para manter a ordem, e evitar o caos, estão as autoridades instituídas que se servirão da lei para punir os transgressores, e fazer valer os direitos dos que a cumprem.


Por Leila Castanha





quarta-feira, 18 de novembro de 2015

LIÇÃO 8 - 4º TRIMESTRE / 2015- REVISTA BETEL

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LIÇÕES DE UMA VIDA PRÓDIGA

imagem de setimodia.wordepress.com


COMENTÁRIO ADICIONAL

Pródigo: O que gasta sem moderação, esbanjador.

Essa história trata-se de uma Parábola: Uma história fictícia que retrata a realidade.

O porquê desta parábola: Jesus contou esta história porque os fariseus e os publicanos estavam falando mal dele pelo fato de Cristo ter contato com pessoas pecadoras. Para fazê-los refletir no seu egoísmo e falta de bom senso, Jesus contou-lhes três parábolas: a das cem ovelhas; da dracma perdida, e do filho pródigo.

Qual o personagem central desta parábola: Muitos pregadores enfatizam a má ação do filho pródigo, colocando-o como o personagem central da parábola, enquanto outros veem o pai, cujo amor em perdoar toda a insensibilidade do filho rebelde é uma rica analogia do amor de Deus, como sendo o foco desta história narrada por Jesus.
No entanto, ao observar o contexto pelo qual nosso Senhor narrou esta parábola, apesar de todos os personagens trazerem lições valiosas para nós, parece-me que o personagem principal nesta narrativa é o filho mais velho. Pois, contextualizando com o que os fariseus e os publicanos diziam a respeito da atitude de Cristo em se relacionar com pecadores, vemos a mesma atitude na figura do filho mais velho, ao recusar-se aceitar que o pai recebesse o irmão pródigo.  E, não podemos esquecer que o motivo que levou Jesus a lhes propor esta parábola foi a reprovação dos fariseus e dos publicanos no tocante a atitude em receber os pecadores.
Esta lição está voltada à análise da história do filho pródigo, focalizando a atitude do filho mais velho. Assim sendo, iniciaremos este estudo traçando o perfil do filho primogênito, de acordo com o que Jesus indicou nesta parábola.

Perfil do filho mais velho: À primeira vista temos a impressão de tratar-se de um filho obediente ao pai, uma pessoa humilde, ligada à família, e muito amável. Mas, após o retorno do seu irmão (o filho pródigo), ele mostra-se uma pessoa bem diferente: Um ser egoísta (pois,diante da situação deplorável do irmão,  ele só enxergava a si mesmo de forma que, ao invés de alegrar-se pela volta do outro, sentiu-se inferiorizado diante da recepção que o pai dera ao irmão). Ele apresenta-se como um homem insensível à dor alheia (O pai, ao ver a situação do filho pródigo, considerou que aquele rapaz estava perdido e foi achado, estava morto, e reviveu, motivos estes suficientemente razoáveis para festejar seu retorno ao lar. Por outro lado, o filho mais velho viu a atitude do pai como injusta, pois julgava que a festa era um acontecimento por mérito, e não a viu como um evento de hospitalidade).
O cristão deve ser hospitaleiro (Rm 12.3). Devemos estar prontos a perdoar até os nossos inimigos (vv 19,20).
O filho primogênito era uma pessoa rancorosa (renegou o irmão, referindo-se a ele como “teu filho”, e não como “meu irmão”, porque compreendia que por ele ter desobedecido ao pai, era injusto dar-se bem quando decidiu voltar). Com isso percebemos que ele não amava a sua família (a festa que ele desejava, e o pai nunca lhe dera, era para festejar com os amigos. Mas, a narrativa revela que o moço não se importava com a alegria de seu pai, nem com o livramento do irmão pródigo). Esse filho era o tipo de pessoa enrustida, cuja rebeldia é reprimida por medo das consequências, mas não por falta de vontade de rebelar-se.

Falsa fidelidade:  Na verdade, o que o filho pródigo fez foi deveras desumano, uma vez que, pedir a herança quando o pai ainda era vivo era o mesmo que considerá-lo morto. Outra crueldade cometida ao tomar esta atitude é que, ao pedir a herança, o pai teria de vender parte da fazenda, onde os funcionários residiam. A insensibilidade e o egoísmo do pródigo foram de uma crueldade tamanha.
No entanto, não eram as consequências, ou o ato em si, que levaram o filho mais velho a rejeitar a atitude do pai em acolher o irmão irresponsável. Sua indignação era o fato de o pai ter festejado o retorno do irmão rebelde, ao invés de lhe agraciar por ser um bom filho. O que ele, de fato, não admitia era o outro ter se divertido lá fora, e ainda ter se dado bem ao retornar para casa. Seu sentimento não era de justiça, mas de inveja, e de arrogância (queria ser o centro das atenções). Ele não estava indignado contra a atitude do irmão, mas contra a atitude do pai, em não dar as honrarias a ele.

Somos um corpo (1 co 12): Esta, talvez, tenha sido a melhor analogia em relação à Igreja de Cristo. E o apóstolo Paulo a usa muito sabiamente, esclarecendo que, apesar de, aparentemente, algum membro parecer ser mais especial do que outro, todos são juntamente importante para o bom funcionamento do corpo. Outra coisa que Paulo deixa claro é que os membros que parecem ser mais fracos são necessários, e os que nos parecem menos honrosos, honramos mais. Porque os que já têm honra não têm necessidade disso (v.22-24 ).
Nessa ideologia apresentada por Paulo, se um membro padece todos padecem com ele; e se um membro é honrado, todos se regozijam com ele (v. 26). Este não era, nem de longe, o sentimento do filho mais velho em relação a seu irmão caçula.

Crentes invejosos: Muitos não acham dificuldade alguma em chorar com os que choram, na verdade, até conseguem sentir a dor do irmão, e sentem pena pelo seu sofrimento. No entanto, quando esse mesmo irmão alcança algo que o tal não possui, a pena deste torna-se inveja, e ao invés de alegrar-se na alegria do outro, passa a maldizê-lo e a culpar Deus por tê-lo abençoado mais do que a ele próprio, que nunca se desviou de suas Leis. Por isso, em Romanos 12. 9, o apóstolo Paulo exorta aos irmãos, dizendo: “O amor seja não fingindo”. Ou seja, não é para fingir que ama, é para amar de verdade.

Indício de um amor fingido: Diz um provérbio: “Onde o amor impera, não há desejo de poder. Onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” (Carl Jung). No mundo atual há uma competição de quem tem mais. As pessoas valem o que têm. Mas, isso não é um mal hodierno, na verdade, vem de muito longe. Satanás foi expulso do céu por conta de sua ambição de poder, que o fez pensar que poderia ser maior do que Deus. Tentou o primeiro casal usando o mesmo argumento (saberão o que Ele sabe), e por fim, tentou o próprio Jesus oferecendo-lhe tudo o que possuía no mundo, caso o adorasse.
No versículo 10 (Rm 12), o apóstolo Paulo explica: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”.  Pedro fez a mesma advertência: “Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro” (1 Pe  1.22).

O amor nos torna perfeitos: Podemos pregar, cantar, evangelizar, visitar, etc, mas só seremos vistos por Deus como pessoas perfeitas quando tiver em nós o verdadeiro amor, porque, de acordo com Colossenses 3.14, “o amor é o vínculo da perfeição”.
Paulo exorta aos irmãos gálatas que, caso alguém seja surpreendido em alguma falha, eles devem ajudá-los, e lembrar-se de que também podem cair na mesma tentação. Em seguida, ele os adverte, dizendo: “Levai as carga uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. Se alguém pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo”. (Gl 6.1-3).

O erro do filho mais velho: Ele achava que era justo, por isso deveria ser louvado e homenageado pelo pai, mas ao observarmos bem sua atitude mediante a volta do irmão, vemos que ele não era nada bonzinho, mas um ser egoísta e sem misericórdia. No dizer vulgar pode-se afirmar que aquele moço “se achava”, quando, na realidade, não era nada do que se gabava ser.

Temos de ser cristãos em tempo integral: Em nossa carreira cristã não dá pra fingir o tempo todo: ou somos cristãos, de fato, ou não somos. Isso porque nos deparamos com os embates da vida o tempo todo, e, em todo o tempo temos de lidar com pessoas. E sendo assim, uma hora a paciência se acaba, e é exatamente nessa hora que a verdade vem à tona.
A advertência bíblica é: “Amai-vos cordialmente com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.10). O pai amava o filho, por isso não escolheu a vingança, mas o perdão, no entanto, o filho mais velho amava a si mesmo, e preferia ter o irmão perdido, ou morto, a presenciar ele ser recebido com honrarias.

Este teu filho: O filho mais velho não tinha nenhum sentimento de amor, ou de pena, em relação ao seu irmão. Ele o rejeitou,e ao falar com seu pai reportou-se ao irmão como “teu filho”. Ao saber que o pai preparara uma festa para o filho pródigo, o outro se revoltou por ver nessa atitude, não o amor de um pai pelo seu filho perdido, mas a folga do irmão, que após fazer tudo o que tinha vontade com sua herança, agora ainda se dera bem.  No entanto a visão do pai ia mais longe: Se ele houvesse se dado bem com sua decisão de sair de casa porque estaria voltando?. E, diante deste pensamento ele concluiu: “Era justo alegrarmo-nos e folgarmos porque este teu irmão estava morto, e reviveu, estava perdido, e achou-se” (v. 30a).

“Este teu irmão”: Agora o pai argumenta com o filho mais velho sobre as suas razões de fazer a festa para o filho pródigo, apresentando-lhe a seguinte alegação: “Este teu irmão estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e achou-se” (v. 32b). Ou seja, ele não é só meu filho, é teu irmão também.
“Amai-vos com amor fraternal”, advertia o apóstolo Paulo (Rm 12.10). Não devemos amar o nosso próximo como se fosse alguém distante, ou apenas como criaturas de Deus, pois uma vez resgatados por Cristo, tornamo-nos irmãos, e devemos nos amar como tal.

O jovem rico: Não podemos ser pseudocristãos. A história do filho mais velho, da parábola do filho pródigo, lembra-me da narrativa do jovem rico, este que dizia cumprir todos os mandamentos, no entanto, quando Jesus lhe ordenou que pensasse nos necessitados, vendendo o que tinha e distribuindo aos pobres, ele retirou-se, triste, pois faltava-lhe o maior dos mandamentos: o amor.  

Deus não leva em conta o tempo de casa: O filho primogênito tentou argumentar com o pai mostrando-lhe o tempo em que ficou em casa, fazendo tudo o que ele mandava. Por outro lado, o pai tentava fazê-lo compreender que o outro que saíra estava precisando de cuidados, e não ele, que estava protegido sob sua guarda. Às vezes, agimos como esse filho mais velho que exigia que o pai olhasse só para ele por ser um bom filho, mas não nos damos conta de que Deus não vê como o homem: ele olha para o coração, e o coração do filho pródigo estava cheio de arrependimento, a ponto de reconhecer a injustiça que cometera contra seu pai, e a tolice que fez a si mesmo. Ele voltava agora, pronto para ser um empregado sem préstimo algum (um jornaleiro), pois reconhecia a generosidade do pai, mesmo para com os empregados.  
Por outro lado, o filho que ficou em casa, não se rebelando contra o seu pai, estava com o coração cheio de ressentimento por ver o irmão se dando bem, enquanto ele, ficara na companhia do pai, sem se divertir com meretrizes, como o irmão fizera, e não recebeu nenhum reconhecimento.
Não havia prazer no mais velho em estar na casa do pai, mas apesar de não ter ido embora, ele estava decepcionado por ter feito tudo certo e não ser, igualmente, recompensado. O que o mantinha com o pai não era o reconhecimento do privilégio que gozava em tê-lo consigo, mas o temor da punição. Como viu que o irmão pródigo fez o que queria e não foi punido, então revoltou-se.
O que te mantêm na Casa do Pai? O prazer de estar com ele, ou o temor do castigo eterno?

Inveja dos ímpios: Essa parábola também me faz lembrar as reclamações do salmista, que dizia ter inveja dos ímpios, pois, a despeito do mal que faziam, parecia que ficavam impunes, mas depois ele entendeu o fim que teriam (Sl 73. 2, 12,18).  O filho mais velho tinha o mesmo sentimento, pois sabia o que o irmão cometera, movido pela arrogância, e agora o via sendo recompensado. Que tipo de justiça era essa, que recompensava o infrator? No entanto, ele não se dava conta das bênçãos que gozava na casa do pai “Tudo era dele”, e só tinha olhos para ver o que o outro recebera, sem se ater no que perdera ao sair de casa (teve que trabalhar em um emprego vergonhoso para um judeu, desejou comer a comida dos porcos, ficou sem dinheiro, etc).

A ideia dos fariseus: Jesus sempre mostrava que sua missão na terra tinha por objetivo salvar o que se havia perdido, buscar os pecadores ao arrependimento, etc, mas os fariseus e os doutores da lei parecia que não conseguiam entender que “os sãos não precisam de médicos, mas os doentes” (Mt 9. 12).

Veio do campo: Em Mt 13. 38 Jesus conta outra parábola, cuja analogia relaciona o campo com o mundo: “O campo é o mundo”, disse ele.
Na parábola do filho pródigo o mais velho estava no campo, e ao retornar a casa ouviu música e dança vindas de sua casa, e perguntou a um servo o que se passava. Ao saber do retorno do irmão mais novo, e da recepção calorosa e honrosa do pai para ele, o rapaz se indignou e recusou-se a entrar em casa e participar da festa. Quando o pai soube da recusa do filho, saiu e foi tentar persuadi-lo a festejar com ele, ao que lhe expôs sua indignação dizendo-lhe que, sendo ele obediente há tantos anos nunca lhe fora dado sequer um cabrito para festejar com seus amigos, no entanto, o pai havia feito uma festa, matando um bezerro cevado, para o filho que gastou os seus bens de forma irresponsável.
Se ligarmos “campo” à analogia do mundo, conforme Mateus 13. 38,  podemos ligar o termo a duas realidades: O filho mais velho pode representar aquelas pessoas que vivem na casa de Deus, e ficam de visita ao mundo, trazendo consigo as concepções e cultura mundanas, ou podemos entender que ele trabalhava no campo, assim representando o cristão (filho de Deus) que vive na Casa do Pai, mas trabalha para ele no mundo.
Se escolhermos analisar esse texto sob a perspectiva de que "mundo" aqui refere-se ao ambiente onde jaz no Maligno (1 Jo 5. 19), podemos inferir a analogia aquele crente que vive na casa do  Pai, ao mesmo tempo em que frequenta o mundo.
Se, no entanto, primarmos pela última ideia, podemos considerar como analogia os cristãos que trabalham incessantemente para Deus, no entanto, quando o Senhor abençoa outros filhos, e lhes concede honras em sua Casa, aqueles não se alegram pela bênção do irmão, achando-se serem mais dignos do que o outro.

Não ambicioneis coisas altas (Rm 12.16 b): O apóstolo Paulo compreendia que a ambição é um mal que vem colocando irmão contra irmão, desde que o mundo é mundo. Por isso teve o cuidado de dar esta admoestação. Da mesma maneira, iniciou a frase, dizendo: “Sede unânimes entre vós”.  (vivam em comum acordo -1 Co  1.10).

O que Paulo queria dizer com “sede unâmimes”: Não ter sentimento de superioridade contra ninguém: Ser unânime, não só no pensamento, ou nas ideologias, mas na ação uns para com os outros.  O apóstolo aos gentios explica isso melhor em Fp 2.2-4:

“...tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. Não façais nada por contenda ou por vanglória, mas por humildade, cada um considere os outros superiores a si mesmos. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros”.

Nunca me destes um  cabrito (v.29): Esta frase do mais velho foi um modo de ele dizer ao pai que este fazia distinção entre os dois filhos. Isto porque, para festejar o retorno do filho pródigo, o pai mandou matar um bezerro cevado (um bezerro gordo, bem alimentado, guardado para ocasiões especiais). Ou seja, o pai nunca lhe dera um cabrito para fazer sua festa, no entanto deu ao filho rebelde a melhor comida que tinha. O problema do filho mais velho não era apenas o fato do mais novo ter voltado, mas as honrarias com que o pai o recebeu de volta. Seu pensamento fixava-se no fato do irmão ser rebelde, e ao voltar  da vida de farra ainda ser abençoado pelo pai.

O mais velho não amava sua família: “Nunca me destes um cabrito para alegrar-me com os meus amigos” (v.29). Embora o primogênito acusasse o irmão de ter abandonado a família, ele mesmo não a valorizava, apesar de não ter tido coragem de assumir. O pai fez uma festa para alegrar-se com seu filho recém-chegado de uma vida de tormentos, e o outro lhe cobrava por não ter-lhe permitido alegrar-se com os seus amigos.
Há muitos que se dizem cristãos, mas não tem qualquer prazer com a família de Cristo. Seus pensamentos e desejos estão voltados para as amizades mundanas, e o seu prazer está bem distante da Casa de Deus. São pessoas omissas, que não tem qualquer preocupação com a vida do irmão (se estão bem ou passando por privações), e a quem cabe as palavras de Deus: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está distante de mim”(Is 29. 13; Mt 15. 7,8).

Recusou-se a entrar em casa: o filho primogênito alegava a seu favor que sempre fora obediente a seu pai, no entanto, por mais que falasse isso, sua ação denunciava falta de verdade em suas palavras, pois por mais que o pai instasse que entrasse para comemorar com ele a volta do irmão caçula, ele não se rendeu.  Isso não lhe agradava, logo, não executaria tal ação, mesmo que o pai lhe ordenasse. Há muitos cristãos que são como os fariseus, não obstante as ordens divinas, só fazem o que lhes convém. Por isso, Jesus chamava os fariseus de hipócritas (fingidos): Diziam que obedeciam, mas na verdade, só o fazia em partes.

Jesus e os fariseu: Jesus alertava os seus discípulos dizendo-lhes que deviam ouvir tudo o que os fariseus ensinavam, mas jamais fazer o que faziam (Mt 23. 3). Ao enumerar o que faziam, que os rendeu o nome de hipócritas, Jesus denunciou-os dizendo que eles faziam tudo para serem vistos pelos homens: Amavam os primeiros lugares, as saudações na praça e  serem chamados de Mestres (gostavam de ser bajulados) (vv 5-7).
Da mesma maneira agia o filho mais velho: queria ser notado, e não aceitou que o outro recebesse as honras. No entanto, Jesus afirmou que o que se exalta será humilhado, mas o que se humilha será exaltado, pois, em seu Reino o menor é o maior (vv 11,12).


Por Leila Castanha








sábado, 7 de novembro de 2015

LIÇÃO 6 - 4º TRIMESTRE DE 2015 - REVISTA BETEL


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figura extraída de verdadededeus

COMENTÁRIO ADICIONAL

O CRISTÃO VENCE O MAL USANDO A 
ARMADURA DE DEUS



AS ARMAS DO CRISTÃO: A primeira coisa que devemos entender sobre a guerra espiritual travada contra a Igreja está no nosso Texto Áureo, a saber: “As armas da nossa milícia não são carnais” (2 Co 10.4a). Consequentemente, isso nos leva a outra verdade, também afirmada pela Palavra de Deus, falada pelo apóstolo Paulo, que exorta: “Não temos que lutar contra a carne e o sangue” (Ef  6. 12a). Dessa compreensão depende tudo aquilo que entendemos sobre a luta do cristão.
Sabendo-se já como, e com quem não devemos lutar em nossas pelejas diárias resta-nos saber com que armas, e com quem travamos nossas guerras, isto é, quais são as armas propícias para a nossa peleja, e quem é o nosso inimigo.
Do texto de 2 Corintios 10. 4,  depreendemos que as armas do cristão devem ser “poderosas em Deus”. Verdade esta que nos leva a outra interrogação: de onde provém o poder das armas comuns, utilizadas nas guerras do mundo? Provém do potencial pela qual cada uma foi fabricada, as peças que foram utilizadas (os materiais), e a capacidade para o uso proposto (número do calibre, afiação, forma,  cumprimento, peso, tamanho etc).
No entanto, as armas do cristão não têm poder em si mesma, seu poder emana, unicamente, de Deus – “elas são poderosas em Deus” (v 4b). Observamos, por meio de um passeio pela Bíblia, que as armas que Deus utilizadas para salvar o seu povo não tinham nenhum valor como força bélica:

Para tirar o povo da escravidão do Egito Deus utilizou-se de uma vara;

Para derrubar os muros de Jericó ele usou trombetas, chifres de carneiro e a arca da aliança (um objeto religioso), e o grito do povo – Js 6. 3, 4;

Nas mãos de Sansão uma queixada de jumento virou uma poderosa arma capaz de matar mil homens – Jz 15. 15,16;

Para matar um grande general, inimigo do seu povo, ele usou uma estaca nas mãos de uma mulher comum (Jz 3. 4, 13, 21);

Derrotou um enorme e poderoso exército somente com o louvor do seu povo. Enquanto os levitas cantavam, Deus ia pondo emboscada no caminho dos inimigos deles (2 Cr 21- 23).

Hoje não é diferente, pois as armas que devemos usar para vencer os nossos inimigos são armas divinas, isto é, ferramentas comuns, que apesar de serem objetos ordinários, sob a obediência à ordem de Deus, adquirem poderes sobrenaturais.  Daí advém outra verdade: o general nessa guerra é o Senhor Jesus Cristo, logo, as ordens são deles.

A IGREJA SEMPRE ESTEVE EM GUERRAEstamos em guerra desde o momento em que nos decidimos a servir a Cristo. Isso não pode ser ignorado pela Igreja. Prova disso são as armaduras que o apóstolo Paulo diz que devemos usar, tal qual soldado pronto para a guerra. Quando alguém faz parte da Igreja isso significa que o diabo o perdeu. 
Todos os servos de Deus, desde o Antigo Testamento, passaram por perseguições devido à retaliação do Inimigo. Os eficientes, Daniel, Ananias, Misael e Azarias, como não deram motivo algum para o rei se indispor contra eles por conta de seus serviços, o diabo usou alguns invejosos para mexer no orgulho do rei, e inconscientemente, o rei assinou um edito que foi contra os seus fiéis servos. O orgulho, arma usada pelo diabo desde o princípio, pois foi ela que o fez ser expulso do céu, e com ela conseguiu tirar o primeiro casal do Paraíso, e ainda a utilizou na tentativa de derrotar Jesus, desviando-o de sua missão, é ainda hoje, uma de suas armas prediletas para lutar contra a Igreja. Essa arma é tão perigosa que Cristo advertiu que os que o aceitarem por Senhor e Salvador, devem aprender dele a ser manso e humilde, duas armas do cristão que vencem o poder bélico da arma do Adversário, chamada Orgulho.
O apóstolo Paulo, muitas vezes foi preso, e apesar de provar sua inocência sobre as calúnias levantadas sobre ele, sempre achavam algum meio para condená-lo a prisão, e por fim, a morte. Tiago, Estêvão, João Batista, dentre outros, foram martirizados sem nenhum motivo coerente, foram vítimas do ódio do Inimigo, refletido neles em retaliação ao próprio Cristo. O próprio Jesus foi preso, e apesar de Pilatos, e até Herodes, confessarem não terem achado  nada de errado para condená-lo,  mesmo assim o acusaram falsamente de crimes contra Roma (dizer-se rei dos judeus, e não pagar os impostos), duas calúnias, pois Cristo deixou claro, inclusive a Pilatos, que o seu reino não era deste mundo (Jo 18. 35, 36), e mandou dar a César, o que é de César, quando lhe perguntaram se deviam pagar impostos ao imperador romano (Mt 16.19- 21). 
A mentira, outra arma invisível do diabo, cujo efeito contra suas vitimas é devastador, é um dos instrumentos utilizados pelo Inimigo para destruir o povo de Deus. Seu poder de propagação é tão grande que Pedro, possuído pelo Espírito Santo, puniu com a morte o casal Ananias e Safira, quando estes tentaram implantá-la dentro da Igreja.
O apóstolo Paulo também advertiu aos novos crentes, dizendo-lhes que, ao fazerem parte da Igreja, deveriam deixar a mentira, e falar somente a verdade (Ef 4. 24, 25).
Daí pode-se concluir que tanto as armas do inimigo, quanto as do cristão, são invisíveis, mas seu efeito é bem visível.
O próprio Cristo disse que se perseguiram a ele também perseguirão os seus discípulos (João 15. 20), por isso a importância do uso das armas espirituais. O Inimigo sempre agiu e reagiu para que o ser humano transgredisse a Lei de Deus, e, consequentemente, fosse separado dele, em vida, e após a morte (Is 59.2; Mt 24.12, 13; Ap 2. 10).

QUAL O OBJETIVO DE NOSSA LUTA: 2 Co 10. 4 – “Para destruição das fortalezas”.
Fortalezas é o nome dado a lugares bem seguros, de difícil acesso. E por que o apóstolo Paulo diz que lutamos contra “fortalezas”, no plural? Porque, embora nossa luta seja contra um determinado inimigo e seus aliados, luta esta que se dá em várias esferas de nossa vida,  a primeira batalha se dá em nós mesmos, assim como um país que está vivendo uma guerra civil, ao mesmo tempo que enfrenta uma batalha externa.  Só conseguiremos vencer as batalhas externas, após vencermos nossa própria guerra interior.
O grande problema do ser humano ao lutar uma batalha espiritual é que cada um de nós tem que vigiar para não ser engodado e levado para o lado do inimigo. A Bíblia diz que o mundo, espaço de nossa luta, jaz no maligno, no entanto, embora não pertençamos ao Mundo,  o pecado que o infecta , alvo de nossa peleja, também rodeia os nossos membros carnais, procurando atraí-los a si, e se não ficarmos atentos seremos levados cativos. 
Em  Rm 7. 14-24, o apóstolo Paulo desenha em palavras essa batalha interior e solitária, dele contra seus próprios instintos, seduzidos e dominados pela influência do efeito da arma do inimigo, o pecado, herdado desde a desobediência do homem no Éden.
O apóstolo deixa claro que não quer ceder, mas para tanto precisa lutar, e não obstante seus esforços o pecado o leva cativo: “Já não sou eu que faço, porque não quero fazê-lo, mas o pecado que habita em mim”.
Por causa desta verdade, S. João (1 Jo 1. 8, 9), nos mostra duas realidades ligadas às palavras de Paulo: A primeira é que, de fato, o pecado ronda nossos membros carnais, porque  todos temos em nós o pecado (v. 8), e a segunda realidade é que contra o efeito das armas do diabo e suas hostes,  que é o  “Pecado”, que elimina nossa vida  diante de Deus,  Jesus veio ao mundo para nos deixar um antídoto poderoso contra o efeito do pecado, chamado “Confissão”: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça (v. 9).

CONTRA O QUE LUTAMOS: Toda batalha tem um ou mais inimigos. No caso da igreja, o apóstolo Paulo indica que lutamos “contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.

Observação: Hoste é o mesmo que forças armadas; tropa; exército.

A ARMADURA DE DEUS (Ef. 6. 11-18)

   Cingindo o vosso lombo com a verdade:  
A Verdade é a arma própria para destruir outra arma do Inimigo chamada Mentira. Jesus disse que o diabo é mentiroso e pai da mentira, por isso toda a mentira  provém dele (Jo 8. 44). A mentira tem criado grandes problemas em todos os setores da sociedade, e em muitos lugares tem penetrado na Casa de Deus. No entanto, ela não pode permanecer no Lugar Santo, conforme vimos o exemplo acima, do caso de Ananias e Safira. Deus também nos adverte, por meio do salmista de que quem usa de engano (o mentiroso), não permanecerá em Sua Casa (Sl 101. 7). Paulo exorta os crentes a cingirem os seus lombos com a verdade, como fazer isso?
Em Jo 17. 17, Jesus faz uma oração ao Pai, pedindo-lhe para “santificar” o seu povo, isto é, mantê-los “separados” do pecado. O pecado é o mal que Satanás usa para vencer o homem, tornando-os presa sua. Pecar é transgredir a Lei de Deus, logo, todas as armas usadas pelo inimigo tem um único objetivo: nos fazer desobedecer a lei divina, levando-nos a “errar o alvo” proposto por Deus, (Errar o alvo é o significado da palavra pecado, no grego).
Tendo em mente a separação do seu povo do pecado (a santificação), Jesus revela ao Pai que tem consciência de como proteger seus discípulos: implantando neles a Sua Palavra, que é a Verdade. O salmista também entendia isso, de forma que no Sl 119. 11, ele confessa: “Escondi a tua Palavra (a Verdade) no meu coração para eu não pecar contra ti”.
No Salmo 15 temos a revelação de que só entrará no Monte Santo do Senhor, aquele que não profere mentiras. O diabo fez seu exército (terça parte dos anjos), mentindo-lhes ao lhes dizer que ele podia ser maior do que Deus; Derrubou o primeiro casal com mentiras, prometendo-lhes que não morreriam; tentou vencer Jesus torcendo a Palavra de Deus, na qual ele se apoiava, mas Cristo conhecia a Verdade, e retrucou-lhe: “Também está escrito...”.
Jesus veio falar tudo o que o Pai lhe ordenou (Jo 12. 49), sendo ele o portador da Verdade, que dela falava e por ela vivia, ele era  a própria Verdade, de sorte que anunciou: Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”.Assim sendo, precisamos estar nele, e a sua Palavra deve estar em nós, pois assim vivemos na Verdade, e a verdade habitará em nós (Jo 15. 3-7).

Vestindo a couraça da justiça: couraça é usada pelos soldados para proteger o peito e as costas. A couraça do cristão tem de ser feito de justiça, palavra esta que significa “qualidade de estar em conformidade com o que é direito”.
A Bíblia mostra Deus como um Deus justo (2 Co 9. 9). Até os castigos que ele dá são provenientes de sua justiça (Lm 1.18). O Salmo 15 também afirma que os que morarão no Santo Monte do Senhor são aqueles que praticam a justiça (v.2).
Jesus falava duramente contra os fariseus por conta de sua falta de justiça, pois, segundo Cristo, eles punham sobre os ombros alheios fardos difíceis de suportar, enquanto os próprios nem sequer se esforçavam por observar suas próprias exigências legalistas (Mt 23. 4).
Cristo era o Deus dos oprimidos e necessitados: Isaías 61. 1-4. Não houve nenhum homem que lutou tanto contra as desigualdades no mundo do que Jesus. Até na hora de sua morte ele se preocupou com sua mãe, para que não ficasse abandonada com sua dor. Em meio ao sofrimento, ainda buscou forças para consolar o moribundo ladrão na cruz.
Paulo, ao enviar o escravo fujão, Onésimo, ao seu amigo cooperador Filemon, adverte-o a recebê-lo como se fosse ele mesmo (Paulo), e na igreja de Colossos, provável congregação de Filemon, o apóstolo escreveu: “Vós, senhores, fazei tudo o que for de justiça e de retidão a vossos servos, sabendo que também tendes um senhor no céu” (4. 1).
Ser justo é ponderar todos os lados e ficar do lado da razão. Vendo a justiça por esse ângulo não podemos julgar ninguém sem nos condenar constantemente, visto que constantemente pecamos contra o próximo, seja por ações ou pensamentos. Verdade esta que levou Jeremias a confessar:   “As misericórdias do Senhor são as causas de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não tem fim” (Lm 3. 22) Uma vez que nosso perdão se dá por sua misericórdia, a justiça de Deus declara o seguinte: “O juízo será sem misericórdia para aquele que não exerce misericórdia; e  a misericórdia triunfa do juízo” (Tg 2. 13).

Calçado os pés na preparação do Evangelho da Paz: O Evangelho, cuja palavra significa “boa nova, boa notícia, ou boa mensagem”, deve trazer algo de bom. Quando Jesus disse que veio trazer a espada, e não paz  ao mundo (Mt 10. 34), ele referia-se a escolha que o homem deveria tomar, independente do querer de seus amigos ou familiares, mas no tocante a mensagem a ser propagada, ele nos comissionou a levar uma mensagem que trouxesse paz ao mundo agonizante pelo pecado.
Toda a mensagem propagada por Jesus ao pecador era uma mensagem que trazia esperança, nova perspectiva de vida, paz, alegria, e segurança pós-morte. O Evangelho de Cristo é um evangelho que, antes de mais nada, anuncia a bandeira branca entre Deus e o homem. Não há mais rivalidade entre Criador e criatura, mas em Cristo, Deus reconciliou consigo o mundo (2 Co 5. 18, 19).
Uma vez que Deus apaziguou em Cristo seu desejo por justiça, agora a sua paz que excede todo o entendimento reina em nossos corações (Fp 4. 7). Após recebermos a bandeira branca, por meio da mensagem do Evangelho, Deus  cobra o mesmo de nós  para com o próximo: Propagar o Evangelho, a paz nele, e  seguir essa paz e a santificação (separação do pecado) para que possamos vê-lo, quando se manifestar para buscar a sua Igreja (Hb 12. 14).

O escudo da fé: “Tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podeis apagar todos os dardos inflamados do maligno”. Embora toda a armadura seja importante, Paulo destaca o escudo da fé.
O escritor aos hebreus (11.6) afirma que “sem fé é impossível agradar-lhe”, e destaca duas coisas, as quais ele tem por necessárias para agradar a Deus, a saber: 1- “É necessário que creia que ele existe”, e 2 – “E que é galardoador dos que os buscam”.
Muitos têm sido vencidos neste quesito. A fé é o que nos mantém de pé nos embates da nossa vida cristã. Crer que Deus existe é fundamental para servi-lo, pois ninguém em perfeito estado mental vai querer servir a um ser que não crê em sua existência. Por isso ser filho de crente não salva ninguém, pois a fé deve vir de cada um, e a crença do outro não será passaporte para o descrente ser salvo.
Se Adão e Eva cressem na palavra de Deus, sua fé nele não teria dado espaço à dúvida semeada pela serpente.  A falta de fé no poder e capacidade de Deus fez com que a primeira geração de Israel não chegasse à Terra Prometida. Eles não criam em Deus (em seu poder), e não criam que a sua busca por ele seria recompensada, pois o tempo todo se lastimavam por terem saído do Egito, julgando que morreriam no deserto. Sua falta de fé em Deus diminuía a excelência do poder divino, de forma a instigar sua ira, fazendo com que Ele tivessem o fim que sempre previram, perecendo no deserto.
Não é sem razão que Cristo dizia aos que procuravam os eu auxílio: "Seja feito segundo a tua fé", e "Tudo é possível ao que crê".

A espada do Espírito: Todo o restante da armadura tem objetivo de defesa, somente esta (a espada do Espírito) é utilizada para o ataque.
Com isso compreendemos que grande parte da vitória em nossa luta como cristão está em sabermos nos defender das armas usadas pelo diabo e seus agentes. Por isso, a admoestação de Tiago não foi para que lutássemos contra Satanás, mas para resisti-lo (Tg 4. 7). O apóstolo Paulo também nos diz a mesma verdade, ao apresentar a tentação como arma do Adversário, e nos adverte a resisti-la também, uma vez que Deus não nos deixa tentar acima do nosso limite.
À Eva a Serpente enganou com palavras mentirosas, mas a tentação maior estava nos seus olhos, que, ao ver o fruto, viu que era bom. Em relação a esta verdade João diz que o que faz alguém ser vencido pelo diabo é o amor que sente pelo mundo (que jaz no Maligno). Desse amor, João afirma que advêm três coisas que culminarão na derrota do crente: a concupiscência dos olhos, da carne, e a soberba da vida (1 Jo 215, 16).
Concupiscência é o desejo carnal, isto é, a vontade de satisfazer a nossa carne, em quem habita o pecado (a predisposição de transgredir a lei divina). E como a solução para esse problema João diz o seguinte: “Portanto, o que desde o princípio ouvistes permaneça em vós” (v.24).
O meio de nos defendermos das armadilhas e ataques do diabo é nos refugiar na Palavra de Deus,e  lutando  contra ele com a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. Foi assim que Jesus o venceu (Mt 4. 3-11).

Conclusão: Vencemos o inimigo e toda hoste infernal que ele manda contra nós, resistindo, e atacando-os com a Palavra de Deus. Assim, desmascaramos suas mentiras, e nos firmamos na Verdade: Nós em Cristo, a Verdade de Deus, e a Sua Palavra, a verdade que santifica, em nós, e assim não haverá lugar para o diabo que terá que fugir, pois a promessa bíblica é esta: “Humilhai-vos, pois perante Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”. (Tg 4. 7).



Por Leila Castanha



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

COMENTÁRIO ADICIONAL DA LIÇÃO 6 - CPAD

O IMPIEDOSO MUNDO DE LAMEQUE

Imagem extraída de Blog Ev. Ricardo Nascimento



Quem era Lameque - Filho de Metusael, a quinta geração de Caim. Lameque foi o primeiro bígamo (homem casado com duas mulheres), o nome de uma de suas esposas era Ada, e o nome da outra era Zilá.

Com Ada, Lameque teve dois filhos: Jabal e Jubal. O primeiro (Jabal) foi o pai (a primeira pessoa) a viver em tendas e criar gado. O outro filho, Jubal, foi o primeiro músico da história humana (tocava harpa e órgão) – Gn 4. 20, 21.

Com a outra mulher  (Zilá), Lameque teve um casal de filhos: Tubalcaim, e sua irmã Noema. O rapaz foi o primeiro metalúrgico da história (era mestre em toda obra de ferro e cobre), e a moça não tem qualquer registro de suas habilidades porque, para os antigos judeus, as mulheres não eram contadas.

O nascimento de Sete – Enquanto a semente de Caim se multiplicava, e descendentes como Lameque proliferavam o pecado na Terra, aos 130 Adão gerou outro filho, por nome Sete (Gn 4.25; 5.3).

Observação:  A expressão “conhecer”, na frase: “E tornou Adão a conhecer a Eva sua mulher”, significa coabitar   sexualmente,  ter relação sexual. Por isso quando a Bíblia relata que, ao fugir, Caim conheceu sua mulher  nas terras de Node, não  quer dizer  que ele a conheceu lá, no sentido literal da palavra, mas o termo “conhecer”, nesse sentido, significa que ele teve  relação sexual com ela, ato este que culminou no  nascimento de seu primeiro filho, chamado Enoque  - Gn 4. 16, 17. Veja este termo “conhecer”, no sentido de manter  relação sexual no texto de Lc 1. 34 (lembre-se de que Maria estava desposada (noiva) de José, logo, ela não podia estar dizendo, de forma literal, que não conhecia nenhum homem).

 Observação: O Enoque filho de Caim não é o mesmo Enoque que andou com Deus (Gn 5. 18-22). O outro Enoque (aquele que andou com Deus) é da descendência de Sete.


O PECADO É COMO UMA PESTE QUE SE ALASTRA
Não devemos nos esquecer  de que Caim era filho de Adão, o homem por quem entrou o pecado no mundo, ou seja, o primeiro homem a pecar (transgredir a ordem de Deus). Caim foi o primeiro assassino, e de sua geração (5ª geração) nasceu outro assassino, Lameque, e também o primeiro bígamo (Deus havia feito o casal composto por um homem e uma mulher) – Gn 2. 22-24 (ambos significa os dois, logo, esta é a ordem matrimonial criada por Deus).
Apesar de a Terra ter sido amaldiçoada devido o pecado de Adão e Eva (Gn 3.17), os primitivos habitantes  da Terra gozavam de fartura provindas de uma terra que, embora amaldiçoada, era fértil.  Deus havia criado o homem com a capacidade de criar (o que faz o ser humano diferente dos demais animais, pois foi criando que o homem evoluiu). Observamos Noé que, embora distante da tecnologia que conhecemos hoje, sozinho,  construiu uma arca,  cujas medidas deviam ser exatas, conforme as exigências de Deus. Da mesma forma a geração antes dele, como os netos de Caim,  tinham inteligência para criar aquilo que desejavam: criaram gado, fizeram tendas para moradia, tocaram instrumentos musicais (o que se pressupõe a criação dos mesmos), elaboraram instrumentos de trabalho, e para outras utilizações, através do ferro e do bronze, e até empreenderam a construção do que poderia ser entendido como  o primeiro edifício, a torre de Babel (Gn 4; 11).  
O salmista deixa claro a propagação do germe do pecado no Sl  51.5. Da mesma forma, o apóstolo Paulo mostra a herança pecaminosa que habita em todo o ser humano, ao fazer a triste constatação da qual se lamenta em Romanos 7. 14-17.


DEUS DIMINUIU O TEMPO DE VIDA DO SER HUMANO
Como Deus não suporta o pecado o meio que ele encontrou para barrá-lo foi diminuir o tempo de vida do homem. Numa época em que podia-se encontrar homens com quase mil anos de vida, agora a humanidade se via com seus dias contados, e reduzidos a 120 anos de idade(Gn  5.27; 6.3).
 E hoje é raro encontrarmos uma pessoa que tenha chegado aos 100 anos de vida.  Isso não foi feito por vingança divina, mas porque Deus sabia  no que o mundo se tornaria se deixasse a humanidade continuar vivendo sem regras (porque poucos estavam obedecendo os limites instituídos por Deus), e, vivendo no mundo por tanto tempo o pecado se proliferaria de forma ainda maior do que já observamos nos nossos dias. Imagine assassinos, ladrões, e todo tipo de orgias sendo cometidas por pessoas que viveriam por 400,  500,  800 ou até 1000 anos.

OS PECADOS COMETIDOS ANTES DO DILÚVIO
Para entendermos a decisão de Deus em mandar o dilúvio para acabar com a raça humana, que Ele mesmo havia criado, precisamos ver como os homens viviam antes disso.

Casamento Bígamo (Gn 2.22-24): Deus foi o criador do casamento. A Bíblia aponta que  o primeiro casal unido  por Deus nos laços matrimoniais foi Adão e Eva . Como já chamei atenção acima, o termo “ambos”,  citado no v. 24, denota a união de duas pessoas, a saber, um  homem e uma mulher. Lameque, no entanto, achou pouco ter uma única companheira e tomou para si duas mulheres, o que resultou no primeiro casamento bígamo. Depois, a exemplo da geração de Caim, os filhos de Deus  também tomaram das filhas dos homens mulheres conforme desejavam (Gn 6. 1, 2). Aliás, por conta disso, Deus diminuiu o tempo de vida do ser humano, pois quando mexe com o que é dele o nosso Deus sempre reage (Zc 2. 8,9; Sl 17. 7, 8).

Assassinato (Gn 4. 23): Depois de Caim matar seu irmão Abel, o próximo assassinato que encontramos registrado nas páginas da Bíblia foi o de Lameque que confessou às suas esposas ter matado duas pessoas,  (por motivos fúteis- sem valor): Um homem porque lhe machucou, e um jovem porque pisou no seu pé.

A influência do pecado atingiu os filhos de Deus (Gn 5. 1-7): Aí foi a hora que Deus deu o basta.  Os filhos de Deus, por acharem as filhas dos homens muito bonitas, tomaram mulheres dentre elas para si, conforme desejavam, e tiveram filhos. No entanto, eles não as influenciaram para o lado de Deus, mas se deu o contrário: o pecado se multiplicou a ponto de Deus resolver destruir todos os homens.

Violência (Gn 6. 4-6: Como resultado da relação entre os filhos de Deus e as filhas dos homens nasceram homens que, apesar de violentos, eram famosos, considerados valentes e respeitados pelos demais, de forma que a maldade se multiplicava sobre a terra (v. 6).


QUEM ERAM OS FILHOS DE DEUS
Existem duas versões defendidas pelos estudiosos da Bíblia. A primeira defende que “os filhos de Deus” eram anjos caídos que habitavam a Terra. Alguns, inclusive, afirmam que sempre que a Bíblia fala de “filhos de Deus” relaciona-se aos anjos, como diferencial aos seres humanos, que são “filhos dos homens”. No entanto, grande parte dos estudiosos atuais não creem nessa versão, mas defendem a ideia de que “os filhos de Deus”, referidos no texto de Gênesis 6, trata-se dos descendentes de Sete, porque a partir do primeiro filho de Sete, chamado Enos, voltou-se a invocar o nome do Senhor (Gn 4.26). Quanto aos filhos dos homens esses estudiosos acreditam ser os descendentes de Caim, homens de índole pecaminosa, distanciados de Deus.
Em Mateus 22. 30 e Marcos 12. 25, Jesus afirma que os anjos não se casam, o que dificulta para nós aceitarmos a versão de os anjos caídos serem os citados filhos de Deus que se casaram com as filhas dos homens. Além disso, de acordo com o Dr. McNair (A Bíblia Explicada), é importante repararmos que, no Velho Testamento, quando é usada a expressão “tomaram para si mulheres” (Gn 6. 2), é sempre referindo-se a casamentos legítimos, e nunca é usada para fazer referência à relações sexuais ilícitas. Ou seja, se “os anjos não se casam, nem são dados em casamentos”, como os referidos “filhos de Deus” podiam ser anjos?
Observamos, também, que a Bíblia refere-se ao povo de Deus como sendo seus filhos (Leia  Dt 14.1; Sl 73. 15; Os 1.10).


O DILÚVIO
Uma coisa que muitos não sabem é que a paciência de Deus tem limite. Quando Deus mostrou  a Abraão a terra que, futuramente, pertenceria a sua descendência (Israel), ele disse-lhe que não lhe entregaria ainda, mais somente à quarta geração, porque “a medida dos amorreus ainda não estava cheia” (Gn 15. 16). Dentre os muitos habitantes de Canaã estavam os amorreus, mas Deus ainda não queria puni-los sem dar-lhes mais chances, porém quando o limite de chances chegasse ao fim, ou seja, até a quarta geração dos israelitas, Deus os entregaria em suas mãos.
O mesmo aconteceu com o povo de Israel: Deus  alertava Moisés o tempo todo que um dia ele os destruiria porque eram um povo de dura cerviz (de cabeça dura) (Ex 33). Embora Moisés intercedesse sempre pelo povo, que eram seus compatriotas, um dia Deus lhe avisou que no tempo devido Ele lhes cobraria pelos seus pecados (Ex 32. 34), e sabemos que toda aquela geração morreu sem entrar na Terra Prometida.
Da mesma forma observamos Deus destruindo Sodoma e Gomorra, porque, segundo confessou a Abraão, o pecado deles já tinha se agravado muito (Gn 18.20). O mesmo foi para a cidade de Nínive (Jn 1.2).

 Deus dá oportunidades: Apesar de Deus estar decidido a destruir cada um  desses povos, a todos ele deu uma segunda chance: aos amorreus ele deu o espaço enorme, até a quarta geração de Abraão, sendo que este nem tinha filhos ainda;  a Israel ele constantemente dava-lhe  o que pedia, e através de Moisés os repreendia e os exortava a mudar de atitude; a Sodoma ele enviou seus anjos (para ver se era mesmo assim), ou seja, se não haveria mudança de comportamento naqueles homens; e aos ninivitas ele esperou até ver sua reação de arrependimento, que culminou em sua misericórdia.

DEUS VOLTA ATRÁS, MAS NÃO DESFAZ DE SUA PALAVRA
Balaão disse as seguintes palavras a Balaque, quando este insistia que amaldiçoasse o povo de Deus: “Deus não é homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa, porventura diria ele não cumpriria, ou falaria e não confirmaria?”  (Nm 23.19).
Quando Deus mandou Jonas profetizar contra Nínive dizendo que a destruiria, ele se arrependeu do que disse (voltou atrás), ao ver o arrependimento do povo, mas não desfez de sua palavra, porque, ele estava cumprindo outra profecia,  endereçada a qualquer nação que fosse punida por ele. Leia Jeremias 18. 7, 8.
Nos versículos 9, 10, ele afirma que, se prometer bênção e a nação lhe ignorar, ele voltaria atrás e faria o contrário. No entanto, os versículos antecedentes (8, 9) afirmam que, se ele ordenar o mal para uma nação e ela voltar atrás, ele também volta e  a abençoa. Deus não é homem para que minta! Glória a Deus, porque ele mesmo disse: “Porque eu velo pela minha palavra para a cumprir” (Jeremias 1. 12), e o fato de Ele voltar atrás, diante de um povo arrependido, também fazia parte de sua Palavra.


CONCLUSÃO  Deus não suporta o pecado (Is 59. 2), e por conta do pecado ele se ira todos os dias (Sl  7. 11), e são as suas misericórdias a causa de não sermos consumidos (Lm 3.22). No entanto, haverá um dia de juízo para todos, alguns já encerram a cota de paciência de Deus no percurso da carreira terrestre, como Saul, outros prestarão contas  quando ele voltar para julgar o mundo. Vigiemos e oremos porque o dia do Senhor está perto! Que todos nós possamos estar alertas, com os nossos corações clamando: “Ora vem, Senhor Jesus!” (Ap 22. 20).