quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

TRABALHANDO OS VALORES

 

 QUEM ACEITA A CORREÇÃO É SÁBIO

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TEMA: Sabedoria

TÍTULO: Quem aceita a correção é sábio

TEXTO BÍBLICO: Pv 15. 32

Dos cinco sentidos que o ser humano utiliza, o mais usado por nós no início de nossa existência, desde a barriga de nossa mãe, é a audição. Há quem diga que lá de dentro ouvimos a voz do papai quando canta para nós ou a mamãe conta suas muitas historinhas. De qualquer modo, é certo que quando saímos do ventre materno, aprendemos as coisas, em grande parte, ouvindo. É assim que começamos a falar: primeiro ouvíamos, depois imitávamos. E quanto mais ouvíamos, mas fácil ficava imitarmos o som das palavras. Quando começamos tentar dar os primeiros passos, o incentivo verbal do adulto também foram muito significativos para nos fazer ter coragem: “Vamos lá” - dizia o papai - “Vem pro papai”. E lá íamos nós - uma quedinha aqui, outra ali - mas aquela voz tão conhecida nossa, nos ajudava a recomeçar a cada queda e, às vezes, depois de um chorinho sentido. Quantos “não” ouvíamos em nossas tentativas de mexer no que não devíamos!

Quando começamos a engatinhar ou a andar apoiados na parede ou nos móveis, às vezes, chorávamos quando um adulto nos colocava de pé (sem nos deixar apoiar) e nos mandava andar. Já pensou se nossos pais resolvessem nos deixar em nossa zona de conforto e não nos “incomodasse” para nos ensinar como fazer a coisa certa? Pegar a colher direito, segurar o copo da forma correta, andar sem apoio, etc.? Já pensou, você chegar na igreja engatinhando ou se apoiando pelas paredes e nos postes? Não dá nem para imaginar, né?

Mas, para chegarmos ao grau de conhecimento que temos hoje, inclusive de segurar o lápis corretamente, segurar a colher ou o copo de modo adequado, e andar sozinhos, foi necessário darmos ouvido às instruções e correções dos nossos pais ou da pessoa que era responsável por nós. Às vezes, éramos forçados a atender a alguma instrução de um adulto, mesmo quando não queríamos. Usar o penico para quê? Era tão mais prático sujar as fraldas! Como choramos, muitas vezes, por não querermos mudar nossos hábitos! Porém, certamente, todas essas instruções e correções nos fizeram muito bem.

É isso que a Bíblia está dizendo nesse texto que lemos: “Quem recusa ouvir a disciplina faz pouco caso de si mesmo, mas quem ouve a repreensão obtém conhecimento”. O problema é que, na medida em que crescemos e ficamos mais velhos, estamos perdendo a capacidade de ouvir os outros, e só prestamos atenção naquilo que queremos ouvir, que nos é conveniente. Isso nos emburrece.

O escritor aos hebreus disse que a correção, na hora em que estamos sendo corrigidos, é muito ruim, mas depois o resultado é muito bom (Hb 12.11). Pois as correções servem para adquirirmos conhecimento, ou seja, para aprendermos. É por isso que vocês devem honrar os seus pais (Ex 20.12), pois eles são presentes de Deus, eles já passaram por tudo o que vocês passam e até pelo que ainda vão passar. Mesmo que não tenham tido as mesmas experiências, mas já viram muito mais da vida do que vocês. Eles sabem onde vai dar a porta que vocês estão entrando. Deus nos presenteou com os pais para recebermos orientação, instrução e correção, e não para serem nossos amiguinhos. Eles são nossos pais, nossos guias,  nossos orientadores e as pessoas que nos corrige quando se faz necessário. Lembram-se do que Salomão disse nesse texto sobre o propósito da correção? Pois bem, é para nos dar entendimento.  

Da mesma maneira é Deus quando nos corrige: não podemos achar ruim, nem tapar os ouvidos para suas repreensões. Veja o que o sábio Salomão disse em Pv 3. 11-15. Não se esqueça que quem não quer ouvir, "faz pouco caso de si mesmo", ou seja, não liga para o seu próprio bem. Quando somos corrigidos, somos advertidos para não nos darmos mal na vida (seja na vida material, sentimental ou espiritual). No Sl 119.130, o salmista diz que a exposição da Palavra de Deus nos dá luz e entendimento. O contrário de luz é treva, e o contrário de entendimento é ignorância. Desse modo, quem não ouve as instruções de Deus é como quem caminha no escuro: vai bater a cara no poste, vai tropeçar  nas coisas, vai cair no buraco, enfim. E quem não tem entendimento, é ignorante, ou seja, não faz ideia do perigo que corre. Percebe a importância de ouvir?

Então, pessoal, vamos começar a ouvir mais as pessoas que Deus colocou em nossas vidas para nos ensinar, e, principalmente, ao próprio Deus, que fala conosco por meio de sua Palavra, e assim nos tornaremos pessoas sábias!

 

Leila Castanha

02/2024

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

TRABALHANDO OS VALORES

 

SER HUMILDE É TER EMPATIA 

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TEMA: HUMILDADE

TÍTULO: SER HUMILDE É TER EMPATIA

TEXTO BÍBLICO: Fp 2.3


   A primeira coisa que temos que entender é que humildade nada tem a ver com depreciar-se, com não reconhecer o nosso valor. Segundo o texto bíblico acima, ser humilde é considerar os outros superior a nós mesmos, isto é, não olhar para o próprio umbigo, como se fôssemos o centro do mundo.

   Ser humilde é ter capacidade de se colocar no lugar do outro, a fim de refletir sobre como o outro se sente a respeito de nossas atitudes e falas. Por exemplo: às vezes um garoto faz determinada brincadeira com outro e, quando este reclama dizendo que não está gostando, o primeiro continua. Ao ser repreendido por outra pessoa, o que fez a brincadeira responde:  "Não fiz nada demais! Se fosse comigo eu não ligaria".  Talvez, sem perceber, o referido garoto mais uma vez estava pensando em si mesmo, afinal, se a brincadeira foi com o outro, ele não poderia se dar como parâmetro, mas o outro é que tem que gostar ou não.

   Deus nunca se engana. Podemos enganar a todos, menos a Ele. Muitas vezes praticamos alguma boa ação, no entanto, por trás do nosso ato de bondade existe segundas intenções, por exemplo: se alguém limpa a casa com a intenção de ser premiado pela mãe, isso não é bondade, mas interesse; se ajudo alguém porque sei que essa pessoa poderá me dar algo em troca, isso também não é bondade. Do mesmo modo, se estudo, não para adquirir o conhecimento, mas para ser popular entre os colegas, isso também não é uma atitude legível, e, muito menos humilde.

   Nos dois primeiros exemplos, apesar de, supostamente, a atitude de ajudar ser uma coisa boa, as ações foram centradas no meu próprio bem estar. No último exemplo, a boa atitude foi dirigida a mim mesma, no entanto, o propósito estava errado. O problema em todos os casos foi a atitude sem amor. Isso gera o egocentrismo, e uma pessoa humilde não é egocêntrica porque a humildade é avessa ao ato de se aparecer. O humilde reconhece que precisa do outro, e, por isso, ajuda com prazer. Ele reconhece que também tem fraquezas e deficiências, por isso apoio o mais fraco, sem esperar nada em troca. Ele entende que sempre tem alguém mais inteligente do que ele, de modo que não pretende ocupar os holofotes, mas está apto a aprender com o outro.

   Resumindo, se penso só em mim, e faço tudo visando apenas o meu bem, não sou humilde. A prova disso é que me falta empatia, isto é, não me coloco no lugar do outro, mas me considero superior. Se você é uma pessoa que não pensa no outro, mas procura tirar vantagem de tudo o que faz ou de todos a sua volta, aprenda com Jesus: em Mt 11.29, vemos o seu ensinamento, o qual diz:

"Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e HUMILDE de coração, e encontrareis descanso para vossas almas".

   Só descansa em Deus, ou seja, só vive em paz quem é humilde, pois o maior mandamento de Jesus é o AMOR (leia Jo 15.12).


Leila Castanha

2024

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

TRABALHANDO OS VALORES

FAZER O BEM TRAZ BENEFÍCIOS


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TEMA: BONDADE

TÍTULO: FAZER O BEM TRAZ BENEFÍCIOS

TEXTO BÍBLICO: GL 6.9


   Nesse texto, o apóstolo adverte a não nos cansarmos de fazer o bem, porque no devido tempo seremos recompensados. Apesar disso, não devemos praticar o bem só para sermos reconhecidos pelos outros nem para sermos abençoados por Deus, porém devemos fazê-lo porque essa é a nossa obrigação de cidadãos terrenos e, principalmente, de cristãos.

     Às vezes, de tanto lidar com pessoas má agradecidas, chegamos a dizer: Chega! Estou cansado de ser bonzinho(a)! Agora vou agir da mesma forma que agem para comigo. Todavia, esse não deve ser o nosso pensamento, pois, segundo a Bíblia, nós colheremos as ações que plantarmos: quem planta o bem, colherá o bem e quem planta o mal, colherá o mal (Leia Gl 6.7) - isso é o que chamamos de "lei da semeadura".

     A fábula do "Leão e o rato" é um bom exemplo para entendermos o que o apóstolo Paulo quer dizer no texto que estamos refletindo. Segue a fábula:

Fábula: O Leão e o Rato

Certo dia, estava um Leão a dormir a sesta quando um ratinho começou a correr por cima dele. O Leão acordou, pôs-lhe a pata em cima, abriu a bocarra e preparou-se para o engolir.

- Perdoa-me! - gritou o ratinho - Perdoa-me desta vez e eu nunca o esquecerei. Quem sabe se um dia não precisarás de mim?

O Leão ficou tão divertido com esta ideia que levantou a pata e o deixou partir.

Dias depois o Leão caiu numa armadilha. Como os caçadores o queriam oferecer vivo ao Rei, amarraram-no a uma árvore e partiram à procura de um meio para o transportarem.

Nisto, apareceu o ratinho. Vendo a triste situação em que o Leão se encontrava, roeu as cordas que o prendiam.

E foi assim que um ratinho pequenino salvou o Rei dos Animais.

MORAL DA HISTÓRIA:

A história nos ensina que não devemos subestimar os outros e que devemos tratar todas as pessoas com gentileza e respeito, independentemente do seu tamanho, aparência ou poder

     Como vimos, aquele animalzinho insignificante foi quem socorreu o leão na hora de dificuldade. Isso nos mostra que não devemos escolher a quem fazer o bem, mas fazê-lo igualmente a todos. Jesus disse que devemos ajudar até aos nossos inimigos (Lc 6. 35-38).       

     Pode ser que o retorno do bem ou do mal praticado por nós nem venha da mesma pessoa a quem demos atenção ou desprezamos , mas, certamente,  essa ação se voltará a nós num determinado tempo, através de alguém ou de alguma coisa. Veja o que o próprio Paulo diz a respeito de pagar pelos seus erros: antes de encontrar Jesus, o apóstolo Paulo perseguia a igreja, de modo que muitos cristão tiveram que fugir para não morrer ou serem presos, e, embora Deus não permitiu que nenhum mal  acometesse com o perseguidor de seu povo, Ele apareceu para Paulo,  o convocou para liderar a igreja a quem perseguia. O próprio apóstolo conta que sofreu muito por causa de sua fé, pois além de ter que passar por perseguições e dificuldades próprias de seu ministério, ele ainda tinha que cuidar da igreja que antes perseguia. Em Gl 6.7, o mesmo apóstolo adverte: "Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá". (versão NVI)

     Mais cedo ou mais tarde, a conta das nossas ações chegará, e, geralmente, vem mais alta do que pagamos e quando menos esperamos. Então, o melhor é fazer o bem, porque assim não precisamos temer, afinal,  o bem só nos traz benefícios.

Leila Castanha

2024

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

PALAVRA DO ESPECIALISTA

UMA INTER-RELAÇÃO ENTRE A BÍBLIA E OS CONHECIMENTOS SECULARES


TEMA: DEPRESSÃO

Nutrição: sua aliada no combate à depressão

Dra Roseane Castanha - Nutricionista



 Depressão como consequência da racionalidade

 e os caminhos para amenizá-la

Professor Lailson Castanha - Filosofia




Professora Leila Castanha - Língua Portuguesa


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TEMA: BAIXA AUTOESTIMA

Professora Elenir Alves do Nascimento - Pedagoga



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TEMA: VALORES CRISTÃOS

A importância da igreja para a criança

Professora Telma S. Nascimento - Pedagoga



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TEMA: GESTÃO PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO CRISTÃ

A igreja e o ensino infantil descontextualizado

Professora Leila Castanha - Pedagoga



A criança é capaz de compreender

 os ensinamentos bíblicos?

Professora Leila Castanha - Pedagoga



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TEMA: CRIANÇA E ESPIRITUALIDADE

CRIANÇA TAMBÉM PECA E PRECISA CONHECER O EVANGELHO

Professora Leila Castanha -Teologia (bacharel)


segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

PALAVRA DO ESPECIALISTA

 CRIANÇA TAMBÉM PECA E PRECISA CONHECER O EVANGELHO 

https://www.atividadesbiblicas.com

  Hugo Monteiro Ferreira, autor do livro “A geração do quarto”, observa que “Na história da humanidade, as crianças sempre foram tratadas como pessoas sem muita importância, sem valor individual e coletivo”. Ele também apoia seu argumento fazendo citação de um trecho do livro de Philippe Ariés, no qual ele diz o seguinte: “... Até o fim do século XIII, não existem crianças caracterizadas por uma expressão particular, e sim homens de tamanho reduzido (...)” . Ariés ainda afirma que essa recusada valorização da criança acontece na maioria das civilizações tradicionais (Ferreira, 2022, p.25)

 Ferreira fala sobre os adolescentes e crianças de nossa época que sofrem caladas ou exteriorizam as suas dores por meio da automutilação ou de outras formas de violência contra si ou contra os outros, porque, geralmente, não têm espaço para conversar com os pais, que vivem sem tempo, e cuja criação é terceirizada. Essa geração, a qual denomina de geração do quarto  “se sente abandonada dentro de casa, se sente sozinha, descuidada, negligenciada e rejeitada, incapaz de enfrentar os vários e inúmeros momentos da vida cotidiana.” (p. 24).

 Com base nas pesquisas de Hugo Ferreira, percebemos a desvalorização da criança e do adolescente na era atual. Eles são desprezados, tanto pela sociedade que os vê como alguém que nada agrega para a vida coletiva, como também pelos próprios pais, os quais não percebem que seus filhos são dotados de sentimentos e emoções e também possuem uma alma. Além disso, se esquecem que as crianças e os adolescentes são capazes de aprender e responder a tudo o que recebe do mundo, no âmbito particular e coletivo. Por isso, é dever dos pais e responsáveis ensiná-los a serem "coadores" e não "esponjas", isto é, a filtrar o que entra em seus corações, ao invés de absorverem tudo que lhes é exposto na vida.

 Tendo isso em mente, é necessário que se compreenda a criança como um ser integral, que, embora em formação, é capaz de compreender o que lhe comunicam, desde que seu interlocutor saiba se comunicar de forma simples, fazendo uso de meios que facilitem seu entendimento, e que, da mesma forma, também são capazes de sentir emoções positivas e negativas (tristeza, alegria, saudade, etc.). 

No entanto, percebe-se que essa concepção da criança como ser incompleto, incapaz de raciocinar, também tem encontrado apoio dos líderes e professores de escolas bíblicas, desde há muito tempo. Isso pode ser observado em  cultos e Escolas Dominicais nos quais as crianças são vistas como intrusas e empecilhos para o bom desempenho dos trabalhos; em E.B.Ds, os professores de crianças se limitam a ensinar valores morais, histórias bíblicas e versículos cuidadosamente selecionados, com a finalidade única de memorização, bem como a utilização de músicas com o propósito de divertir e distrair o público infantil, enquanto seus responsáveis estão cultuando ou aprendendo a Palavra de Deus.

 Porém a Bíblia está cheia de histórias de crianças que foram usadas por Deus e que compreendiam as verdades espirituais: Samuel, a menina da casa de Naamã, João Batista (que foi criado para ser o precursor de Cristo), o próprio jesus (que com apenas 12 anos de idade ensinou os mestres de seu tempo), Timóteo (que desde a infância conhecia as Sagradas Escrituras), Moisés (que já cresceu com o desejo de realizar a missão de libertar o povo de Deus), José (que foi vendido ainda muito novo, mas exaltou ao Senhor em seus feitos), enfim.  

Do mesmo modo, há crianças que desde tenra idade, são usadas por Satanás. Dentre alguns exemplos que vemos na Bíblia, encontramos a narrativa de Mc 9.17-21, na qual um pai levou seu filho a Jesus para ser liberto de um espírito mudo-surdo, e, ao ser questionado por Cristo sobre o tempo em que o garoto vivia naquele estado, o pai lhe respondeu que isso acontecia desde a infância, e que a intenção do demônio era matá-lo (grifo meu).

Por isso, tendo clara a compreensão do pecado como uma realidade que atinge também as crianças, e que o Inimigo pode se servir delas, com maior ou menor intensidade, Spurgeon critica os professores de Escola Dominical que escolhem quais doutrinas bíblicas devem ensinar aos pequenos, sob pretexto de que eles não são capazes de entender tudo. Contrariando tais pensamentos, o “Príncipe do Pregadores” diz: “Tudo o que o Senhor revelou deve ser ensinado (...). Sustento que não há doutrina da Palavra de Deus que uma criança, se for capaz de ser salva, não possa ser capaz de receber”. Além disso, o citado autor declara que as coisas que se referem à salvação são muito simples, de modo que nenhuma criança precisa se desesperar por não entendê-las (Spurgeon, 2004, pp.48, 97).

O apóstolo Paulo corrobora com esse pensamento, de modo que diz em sua carta aos romanos que o Evangelho de Cristo "é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" (1.16). Portanto, se negligenciarmos as boas novas do Evangelho às crianças, estamos impedindo a salvação delas. Brincadeiras, jogos, músicas, filmes, são meios para se pregar o Evangelho, e de maneira nenhuma deve ser um fim em si mesmos.

O próprio Deus ordenou ao povo de Israel  ensinar os seus filhos em todo o tempo e em qualquer lugar, ensinando-lhes e conversando com eles sobre os preceitos que o Senhor lhes havia ordenado (Dt 6.6,7-grifo meu). Do mesmo modo, em Pv 22.6, o sábio Salomão admoesta ensinar a criança no caminho em que deve andar. Isso pressupõe que ela é apta a aprender.

Enquanto a Igreja minimizar a situação da criança, negando-lhes o conhecimento integral da Palavra de Deus, o Inimigo não vai parar em suas tentativas de lhes tirar a vida. Pois se há algo de puro na criança, de certo ele despreza, visto que tudo que provém do Adversário é impuro. Daí a necessidade de intervirmos enquanto Igreja para que ele não contamine as criancinhas, atraindo-as para o que lhe é próprio.

Spurgeon, em seu livro “Pescadores de Crianças”, insiste em dizer que ao semear a Palavra de Deus no coração de uma criança, não se está semeando em uma terra virgem, pois há muito tempo aquele coraçãozinho já foi ocupado pelo diabo. Sob essa alegação, o citado autor defende que, apesar de também possuir pecado, o coração da criança é um solo mais fértil, isto é, ele frutificará muito melhor do que quando for adulta (2004, p,91).

 Há pessoas que acreditam que crianças não têm pecados nem são oprimidas, que suas atitudes subversivas não passam de birra ou rebeldia infanto-juvenil. Todavia, contrário a esse pensamento, há milhares de crianças oprimidas, prestes a tirar a própria vida, e esperando por  alguém que as ajude a se libertarem de sua dor. Um exemplo disso é o depoimento de uma criança de 13 anos, que confidenciou o seguinte relato a Ferreira:

“Na minha sala na escola, tem mais além de mim. A gente formou  um grupo e, nas quartas-feiras, a gente se corta e, depois, a gente chora junto e, depois, a gente lista o que deve ser feito primeiro, se queimar a mão ou usar a corda no pescoço. Mas ninguém fala, é claro! Você pode ajudar?” (2020, p. 16 - grifo meu).

 Apesar da pouca idade dessas crianças, segundo a observação de Hugo Monteiro Ferreira, “seria próprio afirmar que a geração do quarto apresenta no corpo a dor que lhe acomete a alma”. Ou seja, elas tentam exteriorizar sua dor de formas diferentes, como, por exemplo, através de tatuagens, mutilação do corpo, falta de asseio, atitudes violentas contra si mesmo ou contra outros. E o pior, afirmo com pesar, que a maioria de nós, que fazemos parte da  Igreja de Cristo,  não estamos levando isso a sério. Ou, como acrescentou Ferreira, há uma tentativa dos responsáveis de minimizar ou ficar indiferentes, pois é mais cômodo do que se perguntarem "o que devemos fazer?" (Ferreira, 2022, p. 110). Cada um com a sua responsabilidade, decerto, porém a Igreja tem o dever de ir socorrer essas almas, uma vez que só no poder do nome de Jesus podem ser libertas da opressão do Inimigo.

 Ter a certeza de que a criança também precisa de salvação e de libertação é fundamental para se compreender a necessidade urgente de apresentar Jesus a elas, de maneira séria, mas lúdica, de forma firme, mas carinhosa, pregando a Bíblia em sua totalidade, mas na simplicidade da linguagem infantil (não significa que tem que se falar imitando voz de criança, mas de maneira que ela entenda suas palavras). Inclusive, a crianças que nasceram em berço cristão também precisa receber a Cristo como seu Senhor, pois, conforme Spurgeon alerta, temos que tomar cuidado para não aceitarmos a ideia judaica de que o nascimento traz consigo privilégios da aliança (Spurgeon, 2004, p.22)

 O autor supracitado também salienta que é importante tratar a criança como criança, e não querer que se comportem como adultos, como alguns cristãos fazem. Ele conta que uma vez estava brincando com algumas delas no playground (parque infantil) e uma pessoa lhe chamou atenção por estar se divertindo com os meninos, alegando que como homem de Deus isso não seria coerente. Spurgeon, porém,  respondeu àquele homem que, como tinha a responsabilidade de levar aquelas crianças para os bancos da igreja, também era sua obrigação participar dos passatempos delas. O que Spurgeon queria dizer, conforme ele mesmo explica, era o seguinte: “Faça com que o amem, e então aprenderão qualquer coisa com você” (p.83). Lembre-se, a criança é um ser em formação, mas ainda assim é um ser integral, logo, ela possui sua dimensão física, espiritual e sentimental. E todas devem ser observadas.

 Spurgeon aconselha os cristãos que trabalham com o ministério infantil a usarem de estratégias para atrair os pequeninos. E, para os que, porventura, criticam a evangelização de crianças e adolescentes, sob a alegação de que serão influenciados sem capacidade cognitiva para escolherem a sua fé, saiba que o diabo não se importa com isso, antes, se aproveita da ingenuidade infantil, e investe com todas as suas armas para levá-las para si. Quanto a isso, a opinião de Spurgeon é clara: “TUDO É JUSTO NA GUERRA CONTRA O DIABO” (P.83)

  Afinal, nosso Mestre nos advertiu a não impedir que as criancinhas se cheguem a ele, pois “delas é o Reino dos Céus” (Mt 19.14). E não lhes contar essa boa nova é impedi-las de tomar o seu lugar no colo do Salvador.

     

BIBLIOGRAFIA

BREWSTER, Dan. A criança, a Igreja e a missão. Viçosa, Minas Gerais: Ultimato, 2015

FERREIRA,  Hugo Monteiro. A geração do quarto. Rio de Janeiro: Record, 2022

SPURGEON, C.H. Pescadores de crianças: orientação prática para falar de Jesus às crianças. São Paulo: Shedd Publicações, 2004

Bíblia - versão NVI


      Professora  Leila Castanha 

      

Graduada em Letras, Pedagogia, Bacharel em Teologia, pós-graduada em Língua Portuguesa e Literatura no contexto educacional, pós-graduanda em Teologia e Pensamento Religioso, pós-graduanda em Literatura Brasileira no Contexto da Literatura Universal . 

Atua como professora de Língua Portuguesa, Língua Inglesa (anos iniciais do ensino fundamental) e Ensino Religioso, em São Paulo - SP 

  

 


Em seus passos: estudos bíblicos

Ponderações da alma: crônicas e poemas