sábado, 24 de outubro de 2015

COMENTÁRIO ADICIONAL - LIÇÃO 4 - (4º TRIMESTRE/2015)

O EXERCÍCIO DA MISERICÓRDIA MANIFESTA A GRAÇA DE DEUS



Diferença entre graça e misericóridia: Graça= favor imerecido; misericórdia= ato de compaixão, piedade.

Graça é o ato de Deus  nos dar o que não merecemos; Misericórdia é o ato de Deus não nos dar o que  merecemos.

Cânon= É uma palavra grega que significa régua. O objeto de medida dos antigos era uma cana, e como os livros bíblicos tinham de ter uma determinada regra, ou seja, sua autenticidade era “medida” de acordo com alguns padrões , ao conjunto de  livros aprovados deu-se o nome de Cânon.  Assim, o cânon sagrado é o conjunto de livros reconhecidos como inspirados (aprovados).

Conhecendo os personagens: O texto desta lição trata de três personagens: O apóstolo Paulo, autor da carta; Filemon, o destinatário, e o escravo de Filemon, Onésimo, motivo da carta.
Filemon era um homem rico, que tinha escravos, e um dos escravos, Onésimo, furtou algo de valor que lhe pertencia, e fugiu. Provavelmente ele foi preso, pois conheceu Paulo na prisão, enquanto este estava encarcerado por pregar a Jesus, pregação esta considerada blasfêmia para os judeus.

Observação: Blasfêmia é qualquer palavra ou expressão que ofende à divindade, ou àquilo que se tem por sagrado.

Onésimo se converteu na prisão: Durante o tempo em que passou preso, através do apóstolo Paulo, o escravo Onésimo tornou-se cristão. Isso implica em que ele foi ensinado pelo mestre dos gentios a não mais furtar (Ef 4. 22-24, 28).
Quem era Filemom: Um cristão que tinha bom testemunho da Igreja (5-7); Havia parte da Igreja que se reunia em sua casa, pois naquele tempo era comum a Igreja reunir-se nas casas dos irmãos (Fm 1.2; Rm 16.5, 23; 1 Co 16.19). Provavelmente a Igreja que se reunia em sua residência fosse uma das congregações de Colossos (Cl 4.9, 15). Filemom era Companheiro de Paulo (17); Era um excelente cooperador, um homem com quem o apóstolo Paulo podia contar sempre (8, 9, 21).

Filemom e a Igreja de Colossos: Parece haver uma ligação entre Filemom e os irmãos colossenses. Vejamos:
1- Os autores são os mesmos (Cl 1.1; Fm 1)
2- Epafras, Aristarco, Marcos e Lucas, dentre os que estavam presos com Paulo, foram citado na saudação aos colossenses (Cl4. 10-12; Fm 23,24);
3- Tíquico foi enviado junto com Onésimo para apresentá-lo a Igreja, por meio da carta do apóstolo (Cl 4.7-9).
4- Note a preocupação de Paulo em ensinar que os senhores devem ser justos com os seus servos, lembrando-se que também são servos de Cristo (Cl 1.1).

Paulo era sábio: Esta carta é um rio de sabedoria, mediada por estratégia e diplomacia. Paulo tinha um grande problema em mãos:
a) Segundo a lei romana, o escravo fujão tinha dono: Pertencia, legalmente, a Filomom, logo, não era correto Paulo tomá-lo para si, mesmo que para protegê-lo.
b) Seria uma afronta para seu cooperador se Paulo não entregasse o seu escravo, pois desrespeitaria a autoridade dele diante do servo;
c) Segundo a lei, o dono podia infligir severo castigo ao escravo rebelde, mas Paulo sabia que isso não condizia com os ensinamentos de Cristo, que diziam para perdoar os que nos ofendem, e ele mesmo ensinou isso à Igreja, que, provavelmente se reunia  ou já se reuniu em sua casa   (Cl 3.13).

A estratégia de Paulo:
A-Ele envia o escravo com uma carta para o seu dono;
B- Envia, juntamente Tíquico com outra carta para a Igreja, onde também apresenta Onésimo como um dos seus cooperadores;
C-Ele começa a carta evidenciando as virtudes de Filemom que o faz ser reconhecido como cristão pela Igreja, e, particularmente, por ele mesmo (5-10).
D- Começa a carta enaltecendo Filemom, seu amor que tem abençoado a muitos irmãos, e com isso vai preparando  o terreno para falar de Onésimo.
E- Coloca Onésimo como seu filho na fé, não como escravo de Filemom (peço por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões (ele agora é um cristão)) Deixa evidente que o próprio Filemom lhe deve respeito porque também é seu pai na fé (8-10,19).
F-Deixa claro a Filemom que tem ciência de que, antes, ele não tinha valor algum para ele (era um escravo que o roubou), que ele estava errado (v 11, 18), mas mostra que ele está mudado (Cl4.9).
G- Deixa evidente de que está ciente que o escravo lhe pertence; Depois usa uma tática formidável: Ele poderia até me servir em teu lugar (teu escravo, servindo a Deus, em teu lugar (sempre liga o escravo ao dono).
H- Ao falar do erro de Onésimo ele escolhe bem as palavras: ao invés de dizer “fugido por algum tempo”, ele diz “separado por algum tempo” ( v 15).
I- Humilha-se ao interceder por Onésimo. Ao invés de impor, humilha-se: Mesmo sabendo que, em Cristo, posso te mandar o que convém (Paulo era o pai na fé de Filemon, e podia exigir dele, como cristão, a perdoar Onésimo), no entanto, ao invés de dizer "ordeno-te", ele usa a expressão  “peço-te”; Sou Paulo o velho, e agora, prisioneiro de Cristo (8-10)
J – Esclarece que apesar de Onésimo ter-lhe sido muito útil, deixa a decisão para Filemom  permitir-lhe  ter o seu escravo como seu cooperador.
K- Mostra o outro lado da moeda (15,16), o fato do escravo ter feito o que fez resultou em bênção, pois, depois de ter cometido o ato errado, Onésimo conheceu a Jesus e foi transformado, tornando-se, não apenas seu escravo, mas seu irmão e cooperador.
L-Termina a carta pedindo a Filemom que lhe prepare pousada para quando for solto (ou seja, ele iria, pessoalmente, ver como estava o escravo).

O apóstolo Paulo sempre teve preocupação com as palavras: Cl 4.6; Ef 4.29.

Paulo esclarece à Igreja que as leis humanas não podem sobrepujar a divina: Cl 2.12-15; 3. 9-14.  

A escravatura e o cristianismo: Segundo S.E.McNair (A Bíblia Explicada), esta epístola tem sido usada para justificar a escravatura, no entanto, indaga ele, “a escravatura continuaria se os versículos 16, 17 fossem postos em prática?”.

O exercício da misericórdia: Um dos fruto do Espírito é a longanimidade. Longanimidade significa "paciência para suportar grandes ofensas". O cristão é convocado a perdoar, pois, de acordo com a oração de Jesus, somos perdoados a medida que perdoamos (Mt 6.12, 14,15); "O juízo será sem misericórdia para os que não exercem misericórdia". (Tg 2.13).

Analogia da redenção: Paulo tipifica Cristo, que resgata o homem mesmo das prisões do pecado e serve de intercessor entre o homem e Deus (1 Tm 2.5). O homem sempre pertenceu a Deu, o pecado o fez afastar-se dele (Is 59.2). Paulo se propôs a pagar a dívida de Onésimo para que Filemon o tratasse com misericórdia, e para garantir isso envia-lhe com uma carta onde Paulo lhe admoesta a dá-lhe nova chance (Cl 2.14). Agora Onésimo volta para seu dono não como escravo, mas com honra (“Receba-o como a mim mesmo – 17), da mesma forma somos co-herdeiros com Cristo (Rm 8.17). Paulo não pede nada em troca, assim como Cristo nos deu a salvação pela graça (Ef 2.8).


Por Leila Castanha